Antes de escolher um tênis ou ajustar a rotina de treinos, muitos corredores se deparam com um conceito que gera dúvidas e interpretações equivocadas: o tipo de pisada. Embora frequentemente tratado como um fator determinante absoluto, entender a pisada exige uma abordagem mais consciente, que leve em conta o movimento, o contexto do treino e as características individuais do corpo.
O que são os tipos de pisada e por que eles importam
O tipo de pisada se refere à forma como o pé se movimenta ao entrar em contato com o solo durante a corrida ou caminhada. Esse movimento envolve principalmente o tornozelo e o arco plantar, influenciando a distribuição das forças de impacto.
Compreender esse padrão ajuda a identificar possíveis desequilíbrios mecânicos e a fazer escolhas mais conscientes em relação ao calçado e à progressão dos treinos.
Pisada neutra: equilíbrio e distribuição eficiente do impacto
Na pisada neutra, o pé realiza um leve movimento de pronação após o contato com o solo, permitindo que o impacto seja absorvido de maneira equilibrada. Esse padrão tende a distribuir melhor as cargas, reduzindo estresses excessivos em articulações específicas.
Pessoas com pisada neutra geralmente apresentam maior versatilidade na escolha de calçados, desde que respeitem conforto e estabilidade.
Pisada pronada: quando o pé inclina mais para dentro
A pisada pronada ocorre quando há um movimento acentuado de inclinação do pé para dentro durante o apoio. Em níveis leves, a pronação é natural e necessária para absorção de impacto. O problema surge quando esse movimento é excessivo e mal controlado.
Em alguns casos, a pisada pronada pode estar associada a desconfortos no joelho ou tornozelo, especialmente quando combinada com excesso de carga ou técnica inadequada.
Pisada supinada: menor absorção e maior rigidez no apoio
Na pisada supinada, o pé tende a apoiar mais a parte externa, com menor rotação para dentro. Esse padrão reduz a capacidade natural de absorção do impacto, concentrando forças em áreas específicas.
Corredores com pisada supinada costumam apresentar maior rigidez no tornozelo e podem sentir impactos mais intensos, o que exige atenção redobrada à progressão de volume e intensidade.
Como identificar o tipo de pisada de forma mais confiável
Existem diferentes formas de observar o padrão de pisada, mas nenhuma deve ser analisada isoladamente.
Avaliação do desgaste do calçado
Observar o desgaste da sola do tênis pode oferecer indícios do padrão de apoio, embora não substitua uma análise completa do movimento.
Análise em movimento e avaliação profissional
A forma mais confiável de identificação é por meio da observação dinâmica, seja em vídeo ou com a ajuda de um profissional capacitado, que analise o movimento como um todo.
O tipo de pisada define o risco de lesão?
Embora influencie a mecânica do movimento, o tipo de pisada, isoladamente, não determina se alguém vai ou não se lesionar. Fatores como carga de treino, recuperação, técnica, histórico de lesões e força muscular têm peso igual ou até maior.
Utilizar a informação da pisada como parte de um contexto mais amplo é a abordagem mais segura e eficiente.
Mais importante do que classificar é entender o movimento
Classificar a pisada pode ser útil, mas não deve ser encarado como uma sentença. O foco deve estar em conforto, adaptação progressiva e consciência corporal. Quando o movimento é eficiente e respeita os limites individuais, o risco de lesões diminui e o desempenho tende a evoluir de forma mais consistente.




